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Pragas e Doenças

No Peru, 45% das fazendas de banana já têm Fusarium — e o CEO da Del Monte fala em batalha perdida

Com o TR4 chegando ao Equador, o CEO da Fresh Del Monte alertou investidores: no Peru, 45% das fazendas estão infectadas e cerca de 10% foram completamente erradicadas.

31 OUT 2025
No Peru, 45% das fazendas de banana já têm Fusarium — e o CEO da Del Monte fala em batalha perdida

31 de outubro de 2025 · Pragas e Doenças

Em 31 de outubro de 2025, ao comentar a chegada da murcha de Fusarium Raça 4 Tropical ao Equador, o CEO da Fresh Del Monte, Mohammad Abu-Ghazaleh, disse a investidores que “chegará um momento em que as pessoas perceberão que não há bananas suficientes” e descreveu o TR4 como “uma doença altamente contagiosa transmitida pelo solo, sem cura”. O AgFunderNews resumiu a avaliação dele como a de uma batalha perdida. Os números que ele apresentou vêm do país vizinho: no Peru, 45% das fazendas já estão infectadas e cerca de 10% foram completamente erradicadas.

O Equador — que exporta 285 milhões de caixas de 40 libras por ano e é o maior exportador mundial de banana — passou a conviver com o problema no mesmo ano. O efeito em cadeia já aparece nos balanços: o gasto com fungicidas subiu entre 40% e 50% em dois anos, e a produção da Costa Rica caiu 22% no período de um ano, cerca de 18 milhões de caixas a menos. Nenhum desses números descreve uma lavoura destruída pelo Fusarium; descrevem o custo de conviver com a ameaça dele.

É essa a parte que costuma escapar de quem olha o TR4 como um risco distante. O prejuízo não começa quando a planta murcha. Ele começa muito antes, na forma de defensivo mais caro, restrição de trânsito entre talhões, exigência de certificação por parte do comprador e queda de produtividade em áreas que ainda estão sadias. Quando a doença aparece, o custo já subiu há dois anos.

A lição prática para quem produz no Brasil tem duas partes. A primeira é orçamentária: o custo do TR4 chega antes da doença, e vale começar a projetá-lo agora no custo por quilo. A segunda é agronômica e mais dura: uma lavoura 100% Cavendish concentra o risco inteiro em um único material genético — exatamente a estrutura que fez o TR4 ser devastador na Ásia e agora na América do Sul. Diversificar variedade deixou de ser estratégia de mercado e virou seguro.

O Fusarium cobra sua conta bem antes de aparecer na lavoura — em fungicida, em restrição e em produtividade de área ainda sadia.

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31/10/2025: CEO da Fresh Del Monte alerta sobre o TR4 no Equador. No Peru, 45% das fazendas estão infectadas e ~10% foram erradicadas. Fungicidas subiram 40-50% em dois anos; Costa Rica perdeu 22% da produção. O custo do Fusarium chega antes da doença.

Fontes

Foto: Henning K / Pexels