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Exportação

O que o Brasil foi fazer em Gioia Tauro: um embaixador, 15 prefeitos calabreses e a banana da agricultura familiar

No Porto de Gioia Tauro, na Calábria, uma delegação brasileira discutiu a abertura do mercado europeu à banana de Santa Catarina. Estavam na sala o embaixador do Brasil na Itália e 15 prefeitos calabreses.

10 MAR 2026
O que o Brasil foi fazer em Gioia Tauro: um embaixador, 15 prefeitos calabreses e a banana da agricultura familiar

10 de março de 2026 · Exportação

Em 10 de março de 2026, no Porto de Gioia Tauro, na Calábria, uma delegação brasileira sentou com autoridades italianas para discutir a abertura do mercado europeu à banana produzida em Santa Catarina. Do lado brasileiro estavam Renato Mosca, embaixador do Brasil na Itália, e João Paulo Tavares Bastos, superintendente do Porto de Itajaí, além de representantes da ApexBrasil e do Sebrae. Do lado italiano, o deputado Fabio Porta, a prefeita de Gioia Tauro Simona Scarcella e 15 prefeitos de municípios da região da Calábria.

O argumento brasileiro foi de origem, não de preço. Segundo Bastos, Santa Catarina tem produção forte de banana, baseada na agricultura familiar e reconhecida pela qualidade, e o objetivo da missão é abrir portas para que o produto chegue a novos mercados europeus. Os números levados: cerca de 700 mil toneladas por ano, concentradas no Vale do Itajaí e no Norte do estado. A iniciativa corre dentro do PEIEX — Programa de Qualificação para Exportação, da ApexBrasil com o Sebrae, e foi apresentada como aproveitamento de uma eventual janela aberta pelo acordo Mercosul-União Europeia.

A presença de quinze prefeitos calabreses diz algo que a pauta logística não diz: o interesse do outro lado é regional e político, não apenas portuário. Uma região italiana que recebe uma delegação nesse formato está discutindo cadeia de abastecimento e emprego local, não só movimentação de contêiner. É um sinal favorável — e também um lembrete de que negociação com muitos atores tende a ser lenta.

A lição prática exige honestidade sobre o que uma missão diplomática faz e o que ela não faz: ela abre a porta, não abre o mercado. O que abre mercado de fruta in natura é o par protocolo sanitário mais comprador com contrato. Nenhuma das notícias sobre a missão trata de exigência fitossanitária — e é exatamente aí que uma abertura de mercado costuma travar. Quem estiver contando com essa rota deveria perguntar, agora, em que estágio está essa parte.

Missão diplomática abre porta; quem abre mercado é protocolo sanitário com comprador do outro lado.

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10/03/2026, Porto de Gioia Tauro (Calábria): embaixador Renato Mosca, o superintendente do Porto de Itajaí, ApexBrasil, Sebrae e 15 prefeitos calabreses discutem a entrada da banana catarinense na Europa. SC leva o argumento da agricultura familiar e das 700 mil toneladas/ano.

Fontes

Foto: Wolfgang Weiser / Pexels