Sessenta a cem iscas por hectare: o protocolo da Embrapa para saber se a broca está na sua lavoura
O moleque-da-bananeira abre galerias no rizoma e derruba a planta. A Embrapa tem um protocolo de monitoramento por isca que custa quase nada e diz, em números, se vale intervir.
01 AGO 2026
1º de agosto de 2026 · Tecnologia e Manejo
A broca-do-rizoma, ou moleque-da-bananeira (Cosmopolites sordidus), é um besouro de cerca de 11 milímetros de comprimento por 5 de largura cujas larvas abrem galerias no rizoma. A planta não morre de imediato: ela perde sustentação, e o tombamento aparece depois, quando o cacho já pesa. Por isso o dano costuma ser creditado ao vento, e não à praga que o preparou.
O protocolo de monitoramento publicado pela Embrapa Agroindústria Tropical, do pesquisador Antonio Lindemberg M. Mesquita, é de baixíssimo custo. Usa dois tipos de isca feitas do próprio pseudocaule já colhido: a isca tipo queijo, com o pseudocaule rebaixado a 30 cm do solo e cortado longitudinalmente ao meio; e a isca tipo telha, uma metade de pseudocaule de cerca de 60 cm, partida no sentido do comprimento. As iscas vão com a face cortada em contato com o solo, na base das plantas, na densidade de 60 a 100 por hectare. Coleta semanal, renovação quinzenal.
O número que transforma monitoramento em decisão vem das Antilhas Francesas: com 60 iscas por hectare, 1 adulto por isca já justifica medidas de controle. Mas a mesma publicação registra um contraponto honesto — em bananais ‘Prata’ no Espírito Santo, capturas mensais de 1,97 a 5,17 adultos por isca não interferiram no peso dos cachos. Ou seja: o limiar não é lei universal, e quem monitora precisa cruzar a captura com o que vê em campo, especialmente tombamento em reboleira.
A lição prática é que a isca custa o pseudocaule que você já ia descartar. Cem iscas por hectare é trabalho de meio dia por quinzena, e o retorno é saber, com número na mão, se o problema é praga ou é outra coisa. Sem isso, a alternativa é aplicar inseticida no escuro — mais caro, menos eficaz e com um efeito colateral documentado: a pulverização indiscriminada elimina os inimigos naturais que estavam trabalhando de graça.
Contar besouro na isca é a diferença entre tratar o problema que existe e pagar por um que talvez não exista.
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Protocolo da Embrapa para a broca-do-rizoma: 60 a 100 iscas/ha feitas do próprio pseudocaule, coleta semanal, renovação quinzenal. Nível de controle de referência: 1 adulto por isca. Custa quase nada e diz, em número, se vale intervir.
Fontes
- Importância e Métodos de Controle do Moleque ou Broca-do-Rizoma-da-Bananeira — Embrapa Agroindústria Tropical, A. L. M. Mesquita (dez/2003)
- Sistema de Produção de Banana — Embrapa Amazônia Oriental
Foto: Ian Panelo / Pexels