42,5 °C na Coreia, 900 mil animais mortos — e um estudo diz que o arroz perde 8,1% por grau
A onda de calor de agosto na Ásia Oriental bateu recordes de mais de um século. E uma pesquisa publicada na Science Advances dobra a estimativa de perda do arroz por grau de aquecimento.
06 SET 2026
6 de setembro de 2026 · Clima e Safra
A onda de calor que atingiu a Ásia Oriental em agosto de 2026 bateu marcas centenárias. Yangsan, na Coreia do Sul, registrou 42,5 °C em 2 de agosto — a temperatura mais alta desde 1904. Hong Kong chegou a 36,9 °C, a maior desde 1884, e Xinjiang, na China, a 50 °C. O Japão registrou seu primeiro kokushobi, o dia “cruelmente quente”, acima de 40 °C. Os danos: pelo menos 31 mortes na Coreia do Sul, mais de 900 mil cabeças de gado mortas e 1,4 milhão de peixes de cultivo, além da perda total das safras de melancia e morango no país — com cobertura de seguro agrícola descrita como insuficiente.
No mesmo período, um estudo publicado na Science Advances por pesquisadores ligados ao Instituto de Potsdam recalculou o efeito do aquecimento sobre a cultura mais consumida do planeta. A conclusão: a produtividade global do arroz cai 8,1% a cada 1 °C de aquecimento global — cerca do dobro do que os modelos de culturas convencionais projetavam. Para a Índia, a perda estimada é de 6,6% por grau.
Oito por cento por grau é a ordem de grandeza que importa reter, porque ela desloca a discussão do campo do longo prazo para o do médio. E a bananeira não é imune por ser tropical: a Embrapa registra sua temperatura ótima em torno de 28 °C e o limite superior em 35 °C. A margem térmica da cultura pelo lado quente é menor do que a maioria supõe — a fama de planta de calor esconde que ela também tem teto.
A lição prática está na frase mais discreta do relato asiático: “cobertura insuficiente do seguro agrícola”. É exatamente a mesma frase que descreve o Brasil, onde a área segurada caiu para menos de 5% da área plantada. Um evento térmico que mata 900 mil animais e zera duas safras num país rico mostra o que acontece quando a exposição cresce mais rápido que a proteção. Enquanto a proteção coletiva não chega, o que resta é a proteção que se constrói na propriedade: sombreamento, disponibilidade de água, escalonamento de colheita e diversificação — e a conversa com o agente financeiro sobre o Proagro Mais.
A frase que fecha o relato asiático — cobertura insuficiente do seguro — é a mesma que descreve o Brasil, onde menos de cinco por cento da área plantada está segurada.
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Agosto de 2026 na Ásia: 42,5 °C na Coreia do Sul (maior desde 1904), 900 mil cabeças de gado e 1,4 milhão de peixes mortos. E um estudo na Science Advances calcula que o arroz perde 8,1% de produtividade por 1 °C de aquecimento — o dobro do estimado antes.
Fontes
- Record heat devastates crops across East Asia — Taipei Times (14/08/2026)
- Vulnerability to high temperature shapes global warming impacts on rice yield — Science Advances
- Banana: o produtor pergunta, a Embrapa responde — Embrapa (2012)
- Área plantada segurada no Brasil abaixo de 5% — FenSeg, via Broto Notícias (06/05/2026)
Foto: Omar Jhon Barreto Huaitan / Pexels