A nanica desaba: −20% em Santa Catarina e −39% em Bom Jesus da Lapa numa única semana
A coleta de 21 de agosto trouxe a maior queda semanal do mês em quase todas as praças. O produtor catarinense passou a receber R$ 1,11 pelo quilo da nanica.
21 AGO 2026
21 de agosto de 2026 · Mercado e Preços
A coleta do Cepea/Hortifruti Brasil de 21 de agosto de 2026 registrou a maior queda semanal do mês. A nanica de primeira qualidade caiu de R$ 2,14 para R$ 1,30 em Bom Jesus da Lapa, recuo de cerca de 39% em sete dias. No Norte de Santa Catarina, caiu de R$ 1,39 para R$ 1,11, cerca de 20%. No Norte de Minas Gerais, de R$ 2,24 para R$ 1,80. No Vale do Ribeira, de R$ 1,78 para R$ 1,69. O atacado de São Paulo manteve a caixa de 22 kg em R$ 55,00.
Repare no desencontro entre produtor e atacado. Enquanto o produtor catarinense perdeu 20% em uma semana, o preço da caixa em São Paulo não se mexeu. Quando a ponta de venda fica parada e a ponta de compra desaba, a diferença não sumiu — ela ficou no meio do caminho. É o retrato de um produtor sem poder de barganha diante de uma oferta que apertou.
A prata contou outra história na mesma coleta. A prata anã do Vale do São Francisco subiu de R$ 2,07 para R$ 2,20, e vinha subindo desde o fim de julho — de R$ 1,73 no dia 31 para R$ 2,20 no dia 21, uma alta de cerca de 27% no mês. A prata anã de Delfinópolis ficou praticamente estável, em R$ 3,15, e a do Norte de Minas em R$ 2,90. No Norte de SC, a prata litoral recuou para R$ 2,02 — mas ainda assim quase o dobro da nanica da mesma região.
A lição prática repete o que a série de agosto inteira vem dizendo, agora com um número difícil de ignorar: R$ 1,11 por quilo está abaixo do custo médio de produção apurado pelo próprio Cepea no primeiro semestre, que foi de R$ 1,40. Fruta vendida a esse preço não gera margem apertada — gera prejuízo por quilo. Quem tiver capacidade de segurar fruta, classificar melhor ou desviar para outro canal, essa é a semana em que isso deixa de ser refinamento de gestão e passa a ser sobrevivência.
Um e onze o quilo, contra um custo médio de um e quarenta, não é margem apertada. É prejuízo por quilo.
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Cepea, 21/08/2026: nanica cai 39% em Bom Jesus da Lapa (R$ 1,30/kg) e 20% no Norte de SC (R$ 1,11/kg) em uma semana. O atacado de SP não se mexeu. E o custo médio de produção apurado pelo Cepea no 1º semestre foi de R$ 1,40/kg.
Fontes
- Cepea/Hortifruti Brasil — Banana: preços médios ao produtor e no atacado
- BANANA/CEPEA: Alta nos preços eleva rentabilidade, mas margens seguem apertadas (21/07/2026)
Foto: Pexels