Santa Catarina é Área Livre de Moko — e o teste que confirma a doença leva menos de um minuto
O status sanitário catarinense vale dinheiro na hora de vender. Ele foi defendido em 2018 com um foco erradicado em Antônio Carlos — e depende de cada produtor saber reconhecer o sintoma.
23 AGO 2026
23 de agosto de 2026 · Pragas e Doenças
Santa Catarina é Área Livre de Moko da bananeira, status reconhecido pela Instrução Normativa nº 22/2013 do Ministério da Agricultura. Isso não é um título honorífico: é o que permite ao estado comercializar e exportar sem as restrições que se aplicam a área com a praga presente. E foi defendido na prática — em 2018, um foco detectado em Antônio Carlos foi erradicado com a eliminação das plantas afetadas e inspeções em raio de 5 quilômetros, mantendo o status, conforme relato publicado por técnicos da Cidasc e da Epagri na Revista Agropecuária Catarinense.
O Moko é causado pela bactéria Ralstonia solanacearum e pode levar a perdas de até 100% da produção. O teste de campo é notavelmente simples e está descrito pela Embrapa: cortar o pseudocaule e observar se surge fluxo bacteriano de coloração leitosa em menos de um minuto. A descoloração vascular é mais intensa no centro do pseudocaule, e a podridão é seca, firme e de coloração parda. A desinfecção de ferramentas recomendada é com solução de formaldeído a 20 g/L.
O protocolo oficial de detecção da Cidasc, na Instrução de Serviço nº 09/2023, prevê inspecionar 1% das touceiras de cada propriedade amostrada, em pontos aleatórios georreferenciados, examinando 5 touceiras consecutivas por ponto. A disseminação se dá por material propagativo, água de chuva e irrigação, ferramentas, insetos e frutos contaminados. Planta suspeita exige comunicação imediata.
A lição prática soma o Moko a uma ameaça ainda ausente e mais grave. O Foc R4T, a Raça 4 Tropical do mal-do-Panamá, é praga quarentenária ausente em Santa Catarina, e a Cidasc mantém canal de notificação obrigatória pelo 0800 644 6510. O sintoma característico é o amarelecimento começando pelas folhas mais velhas, com quebra do pecíolo formando o aspecto de “guarda-chuva fechado”, e rachaduras no pseudocaule próximo ao solo. As exigências são as mesmas dos dois lados: muda certificada de cultura de tecidos registrada no MAPA, restrição de acesso não autorizado às áreas e desinfestação periódica de ferramentas. Um status sanitário é um bem coletivo que qualquer propriedade sozinha consegue destruir.
Área livre de praga é patrimônio construído por todos e derrubável por um — a muda barata de origem desconhecida é o caminho mais curto para perdê-lo.
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SC é Área Livre de Moko (IN 22/2013). Em 2018 um foco em Antônio Carlos foi erradicado com inspeção em raio de 5 km. O teste de campo: cortar o pseudocaule e ver se sai fluxo leitoso em menos de um minuto. Suspeita de Foc R4T: Cidasc, 0800 644 6510.
Fontes
- Defesa do status fitossanitário de Área Livre de Moko em Santa Catarina — Revista Agropecuária Catarinense, Cidasc e Epagri
- Instrução de Serviço nº 09/2023, Moko — Cidasc
- Folder técnico Mal-do-Panamá Foc R4T — Cidasc
- Defesa Sanitária Vegetal — Bananicultura, Cidasc
Foto: Pexels