O produtor catarinense recebe R$ 1,39 pelo quilo da nanica. No Norte de Minas, são R$ 2,24
A tabela semanal do Cepea de 14 de agosto coloca o Norte de Santa Catarina no piso nacional da nanica: R$ 1,39 por quilo, contra R$ 2,24 no Norte de Minas Gerais.
14 AGO 2026
14 de agosto de 2026 · Mercado e Preços
A tabela semanal do Cepea/Hortifruti Brasil atualizada em 14 de agosto de 2026 colocou o Norte de Santa Catarina no piso nacional do preço da banana nanica. O produtor catarinense recebeu R$ 1,39 por quilo pela nanica de primeira qualidade. Na mesma semana, o Vale do Ribeira (SP) pagou R$ 1,78, Bom Jesus da Lapa (BA) pagou R$ 2,14 e o Norte de Minas Gerais pagou R$ 2,24 — 61% a mais que Santa Catarina pela mesma fruta e pela mesma classificação. No atacado de São Paulo, a caixa de 22 kg de nanica era negociada a R$ 55,00, e a caixa de 20 kg de prata anã, a R$ 125,00.
A diferença não é erro de coleta: é estrutura. Santa Catarina é o estado onde a nanica pesa mais no total plantado — ela ocupa 72,6% da área e responde por 82,4% da colheita estadual — e essa concentração se traduz em volume constante chegando ao mercado. Em abril, o próprio Cepea registrou duas semanas seguidas de queda do preço na Ceagesp atribuídas justamente ao aumento do volume vindo do Norte catarinense. Quem oferta muito da mesma coisa, ao mesmo tempo, é quem tem menos poder de negociar o preço.
O contraponto está na mesma tabela do dia 14. A prata litoral produzida no Norte de Santa Catarina pagou R$ 2,16 por quilo ao produtor — 55% acima da nanica da mesma região, na mesma semana, na mesma coleta. Não é uma banana de outro estado nem de outro mercado: é a variedade ao lado, no mesmo município.
A lição prática é desconfortável, mas direta: se a sua lavoura é 100% nanica, você está estruturalmente posicionado no ponto mais baixo da tabela nacional, e nenhum ganho de produtividade corrige isso. As duas alavancas que corrigem são mix de variedade e canal de venda — e a primeira leva de 12 a 18 meses para responder, o que significa que a decisão precisa ser tomada muito antes de a margem apertar.
O problema do bananicultor catarinense não é produzir pouco. É estar concentrado justamente na variedade que o mercado paga pior.
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Cepea, 14/08/2026: a nanica paga R$ 1,39/kg ao produtor no Norte de SC — e R$ 2,24/kg no Norte de MG. Na mesma semana, na mesma região catarinense, a prata litoral pagou R$ 2,16. A diferença não está no estado. Está na variedade.
Fontes
- Cepea/Hortifruti Brasil — Banana: preços médios ao produtor e no atacado (atualização de 14/08/2026)
- BANANA/CEPEA: Oferta de SC resulta em 2ª semana consecutiva de baixa de preço na Ceagesp (24/04/2026)
- Expansão de área e liderança na exportação sustentam safra de 770 mil toneladas de banana (27/05/2026)
Foto: Gilmer Diaz Estela / Pexels