Embrapa fecha acordo com o Equador para criar uma Cavendish resistente à Raça 4 Tropical
Embrapa, o Ministério da Agricultura do Equador e a associação de exportadores equatoriana assinaram um acordo de melhoramento genético preventivo contra a Foc R4T e o Moko.
09 MAR 2026
9 de março de 2026 · Pragas e Doenças
Em 9 de março de 2026, a Embrapa assinou com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Pesca do Equador e com a Associação de Exportadores de Banana do Equador (Aebe) um acordo de pesquisa para desenvolver variedades do subgrupo Cavendish — o grupo da nanica — resistentes à Raça 4 Tropical da murcha de Fusarium (Foc R4T) e ao Moko, causado pela bactéria Ralstonia solanacearum. Assinaram o documento Silvia Massruhá, presidente da Embrapa, o ministro Juan Carlos Vega Melo e José Antonio Hidalgo, diretor-executivo da Aebe. Segundo o ministro equatoriano, a cadeia da banana no país emprega “mais de 250 mil famílias trabalhando na produção”.
A palavra que define o acordo é preventivo. A Foc R4T já foi identificada na Colômbia em 2019, no Peru em 2020, na Venezuela em 2023 e no Equador em 2025 — mas ainda não foi identificada no Brasil. O fungo vive no solo, não tem cura conhecida e inviabiliza a área plantada por décadas. Uma vez dentro de uma região produtora, o combate deixa de ser agronômico e passa a ser de contenção: erradicação de talhões, restrição de trânsito de máquinas e pessoas, e reconstrução da lavoura com material genético diferente.
É por isso que um acordo de melhoramento genético entre dois países importa para quem produz banana em Santa Catarina ou no Vale do Ribeira. O Brasil está na janela rara em que ainda dá para agir antes: o país tem a maior parte do seu Cavendish comercial exposta a uma doença que já cercou quatro vizinhos, e a variedade resistente que o acordo pretende gerar leva anos para chegar ao viveiro.
A lição prática não depende de pesquisa nenhuma e pode ser adotada nesta semana: biossegurança de entrada. Muda de origem certificada e rastreável, sem exceção. Limpeza e desinfecção de máquinas, implementos, botas e pneus que circulam entre propriedades. Registro de quem entra na área — técnico, comprador, visitante. Custa pouco, não depende de aprovação de ninguém, e é a única barreira que funciona antes de a doença chegar.
Contra o Fusarium R4T não existe tratamento — existe apenas a decisão de não deixar ele entrar, tomada antes de ele chegar.
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09/03/2026: Embrapa assina com o Ministério da Agricultura do Equador e a Aebe acordo para desenvolver Cavendish resistente à Foc R4T e ao Moko. A R4T já está na Colômbia (2019), Peru (2020), Venezuela (2023) e Equador (2025). No Brasil, ainda não. A janela para biossegurança é agora.
Fontes
Foto: Sinan Kerti / Pexels