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Exportação

1.708 tomadas de contêiner refrigerado e nenhuma banana indo para a Europa

O balanço do primeiro trimestre mostra um Porto de Itajaí reequipado — e registra, no mesmo documento, que a rota europeia da banana segue em negociação, sem operação em escala.

07 MAI 2026
1.708 tomadas de contêiner refrigerado e nenhuma banana indo para a Europa

7 de maio de 2026 · Exportação

O balanço divulgado em 7 de maio de 2026 mostra um Porto de Itajaí de volta ao ritmo: mais de 1,2 milhão de toneladas movimentadas no primeiro trimestre. O JBS Terminais ampliou a capacidade em cerca de 330% desde o início da operação, em outubro de 2024, com mais de 560 mil TEUs em aproximadamente 18 meses. Foram cerca de R$ 220 milhões em modernização, incluindo dois guindastes móveis de 125 toneladas e 1.708 tomadas para contêineres refrigerados. A estrutura soma 180 mil metros quadrados, 1.030 metros de cais, quatro berços e conexão com 10 linhas regulares.

As 1.708 tomadas são o item que interessa diretamente à banana. Contêiner refrigerado é o que permite embarcar fruta viva numa travessia longa, controlando temperatura e atmosfera para que ela chegue no ponto de maturação certo. Sem essa capacidade em escala, conversa sobre Europa não sai do campo das intenções. O porto passou a ter essa capacidade.

E o mesmo balanço registra a outra metade da frase: a rota europeia da banana segue em fase de negociação e articulação, sem operação em escala. As missões internacionais de março — que incluíram, além da Itália, Índia e Coreia do Sul — abriram caminho, mas não geraram embarque. Para dimensionar a distância: o Brasil exportou cerca de 80 mil toneladas de banana em 2025, e a fatia europeia foi de 5% para a Holanda e 4% para a Espanha. São aproximadamente 9% de 80 mil toneladas, ou algo em torno de 7,2 mil toneladas de banana brasileira na Europa inteira, em um ano.

A lição prática é a que mais custa a ser aceita em projeto de exportação: infraestrutura pronta é condição necessária, nunca suficiente. O gargalo desta rota não está no cais — está do lado de cá, em volume constante ao longo do ano, padrão de classificação, certificação e um comprador com contrato. Enquanto isso não existir, as tomadas refrigeradas seguem ligadas em outra carga. Para o produtor, a pergunta útil não é quando o porto vai estar pronto, e sim o que precisa estar pronto na propriedade para o dia em que a primeira janela abrir.

O cais está pronto. O que ainda não está pronto é a cadeia que precisa encher o contêiner — e essa parte não se resolve com investimento portuário.

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07/05/2026: Porto de Itajaí movimenta 1,2 milhão de toneladas no 1º trimestre, com R$ 220 milhões investidos e 1.708 tomadas para contêiner refrigerado. E o mesmo balanço registra: a rota europeia da banana segue em negociação, sem operação em escala. Infraestrutura pronta não é cadeia pronta.

Fontes

Foto: R. Rodrigues / Pexels