Julho de 2026 fechou a 1,47 °C acima do pré-industrial — e o oceano bateu o recorde da série
O boletim do Copernicus para julho traz a média global a 16,90 °C e a temperatura da superfície do mar no valor mais alto já medido para um mês de julho.
25 AGO 2026
25 de agosto de 2026 · Clima e Safra
O boletim do Copernicus/C3S divulgado em 10 de agosto de 2026 fechou julho com temperatura média global do ar à superfície de 16,90 °C — 0,67 °C acima da média de 1991-2020 e 1,47 °C acima do nível pré-industrial de 1850-1900. Foi o segundo julho mais quente já registrado, empatado com 2024 e apenas 0,01 °C abaixo de julho de 2023. A média dos doze meses encerrados em julho ficou em 1,45 °C acima do pré-industrial.
O dado mais duro está no mar. A temperatura da superfície do oceano entre 60°S e 60°N atingiu 20,96 °C — o valor mais alto já medido para um mês de julho, superando os 20,89 °C de 2023. Pelo conjunto de dados da NOAA, o oceano global teve seu julho mais quente da série, 1,02 °C acima da média — a primeira vez que um julho ultrapassa a marca de 1,0 °C. E, em 22 de agosto, a média da superfície dos oceanos chegou a 21,1 °C, o valor mais alto já registrado em qualquer data do ano.
Vale registrar uma diferença que costuma virar confusão. A NOAA descreveu julho como “empatado como o julho mais quente”; o Copernicus e o Berkeley Earth o classificaram como o segundo, atrás de 2023. Não é contradição: cada instituto usa uma linha de base e um método próprios. O Berkeley Earth calculou 1,56 ± 0,09 °C acima de 1850-1900, com 32 países batendo recorde de julho, e projeta cerca de 69% de chance de 2026 ser o ano mais quente já registrado. Sempre que o número aparecer numa manchete, pergunte de qual instituto ele é.
A lição prática é sobre qual desses números importa dentro da porteira. Não é o ranking do mês — é a média móvel de doze meses a 1,45 °C, porque a bananeira responde tanto à média quanto ao extremo. A Embrapa registra a temperatura ótima da cultura em torno de 28 °C, com limite superior de 35 °C. Cada décimo somado à média desloca a distribuição inteira, e é a cauda quente dessa distribuição que produz o dia de 40 °C que queima folha e para o crescimento.
O número que interessa ao bananal não é o recorde do mês: é a média de doze meses, que já se instalou a um e quarenta e cinco.
Versão curta para redes
Copernicus (10/08/2026): julho de 2026 a 16,90 °C — 1,47 °C acima do pré-industrial. A média de 12 meses está em 1,45 °C. E a superfície do oceano chegou a 20,96 °C, o valor mais alto já medido para um julho; em 22/08, a 21,1 °C, o maior de qualquer data.
Fontes
- Surface air temperature for July 2026 — Copernicus/C3S (10/08/2026)
- Highest July global ocean surface temperatures — Copernicus/C3S (10/08/2026)
- Assessing the Global Climate in July 2026 — NOAA NCEI
- July 2026 Temperature Update — Berkeley Earth (13/08/2026)
- Banana: o produtor pergunta, a Embrapa responde — Embrapa (2012)
Foto: Pexels