A FAO atribui a alta dos alimentos a “ondas de calor escaldantes” — e é o maior nível em três anos
O Índice de Preços dos Alimentos chegou a 131,1 pontos em julho. Frutas não entram no índice — mas o que puxou a alta chega ao bananicultor pelo lado do custo.
27 AGO 2026
27 de agosto de 2026 · Mercado e Preços
O Índice de Preços dos Alimentos da FAO fechou julho de 2026 em 131,1 pontos, alta de 0,6% no mês e 1,0% em doze meses — o nível mais alto em três anos. Por subíndice: cereais +3,4% (6,9% acima de julho de 2025), óleos vegetais +2,0% (o maior nível desde junho de 2022) e açúcar +5,6%. Laticínios recuaram 0,7% e carnes caíram 2,8%, a primeira queda do ano.
A FAO é explícita sobre a causa, e ela não é geopolítica apenas: atribui as altas a “ondas de calor escaldantes e à dinâmica dos preços de energia”. O trigo foi pressionado por quebras de safra ligadas ao calor; o milho, por tempo quente e seco em partes dos Estados Unidos; o açúcar, por calor e seca persistentes na União Europeia e por condições de El Niño na Ásia. É a mesma sequência que a agência vinha descrevendo como risco e que passou a aparecer na fatura.
Aqui é preciso ser preciso com o leitor: o índice da FAO não tem subíndice de frutas. A banana não está nesses 131,1 pontos, e nenhuma alta ali se converte automaticamente em preço melhor no bananal. O que atravessa é o outro lado da conta. Energia mais cara move fertilizante nitrogenado, diesel de transporte e custo de refrigeração — exatamente os itens que empurraram o custo de produção apurado pelo Cepea para R$ 1,40 por quilo no primeiro semestre.
A lição prática é a de ler o índice pelo lado certo do balanço. Quando o clima aparece na fatura de alimentos, ele aparece primeiro no custo de quem produz e só depois — se aparecer — na receita. Para uma cultura que não está no índice, como a banana, o efeito é praticamente só de um lado. Vale acompanhar o preço do adubo e do diesel com a mesma atenção que se dá à cotação da caixa.
Para quem produz uma fruta que o índice nem mede, o calor global chega inteiro pelo custo e quase nada pela receita.
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FAO (07/08/2026): Índice de Preços dos Alimentos em 131,1 pontos em julho, o maior em três anos. Cereais +3,4%, açúcar +5,6%. A FAO atribui a “ondas de calor escaldantes” e à energia. Frutas não entram no índice — mas energia cara move adubo, diesel e refrigeração.
Fontes
- FAO Food Price Index edges up amid weather, energy and geopolitical concerns — FAO (07/08/2026)
- BANANA/CEPEA: Alta nos preços eleva rentabilidade, mas margens seguem apertadas (21/07/2026)
Foto: Pexels