felipe – Quero Banana – Notícias https://noticias.querobanana.com.br Mercado da banana, do produtor ao comprador Sun, 06 Sep 2026 09:00:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 42,5 °C na Coreia, 900 mil animais mortos — e um estudo diz que o arroz perde 8,1% por grau https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/06/calor-na-asia-e-o-arroz-que-perde-8-por-cento-por-grau/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/06/calor-na-asia-e-o-arroz-que-perde-8-por-cento-por-grau/#respond Sun, 06 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=70 6 de setembro de 2026 · Clima e Safra

A onda de calor que atingiu a Ásia Oriental em agosto de 2026 bateu marcas centenárias. Yangsan, na Coreia do Sul, registrou 42,5 °C em 2 de agosto — a temperatura mais alta desde 1904. Hong Kong chegou a 36,9 °C, a maior desde 1884, e Xinjiang, na China, a 50 °C. O Japão registrou seu primeiro kokushobi, o dia “cruelmente quente”, acima de 40 °C. Os danos: pelo menos 31 mortes na Coreia do Sul, mais de 900 mil cabeças de gado mortas e 1,4 milhão de peixes de cultivo, além da perda total das safras de melancia e morango no país — com cobertura de seguro agrícola descrita como insuficiente.

No mesmo período, um estudo publicado na Science Advances por pesquisadores ligados ao Instituto de Potsdam recalculou o efeito do aquecimento sobre a cultura mais consumida do planeta. A conclusão: a produtividade global do arroz cai 8,1% a cada 1 °C de aquecimento global — cerca do dobro do que os modelos de culturas convencionais projetavam. Para a Índia, a perda estimada é de 6,6% por grau.

Oito por cento por grau é a ordem de grandeza que importa reter, porque ela desloca a discussão do campo do longo prazo para o do médio. E a bananeira não é imune por ser tropical: a Embrapa registra sua temperatura ótima em torno de 28 °C e o limite superior em 35 °C. A margem térmica da cultura pelo lado quente é menor do que a maioria supõe — a fama de planta de calor esconde que ela também tem teto.

A lição prática está na frase mais discreta do relato asiático: “cobertura insuficiente do seguro agrícola”. É exatamente a mesma frase que descreve o Brasil, onde a área segurada caiu para menos de 5% da área plantada. Um evento térmico que mata 900 mil animais e zera duas safras num país rico mostra o que acontece quando a exposição cresce mais rápido que a proteção. Enquanto a proteção coletiva não chega, o que resta é a proteção que se constrói na propriedade: sombreamento, disponibilidade de água, escalonamento de colheita e diversificação — e a conversa com o agente financeiro sobre o Proagro Mais.

A frase que fecha o relato asiático — cobertura insuficiente do seguro — é a mesma que descreve o Brasil, onde menos de cinco por cento da área plantada está segurada.

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Agosto de 2026 na Ásia: 42,5 °C na Coreia do Sul (maior desde 1904), 900 mil cabeças de gado e 1,4 milhão de peixes mortos. E um estudo na Science Advances calcula que o arroz perde 8,1% de produtividade por 1 °C de aquecimento — o dobro do estimado antes.

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Foto: Omar Jhon Barreto Huaitan / Pexels

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A ciência que diz quando o clima é culpado — e, às vezes, que não é https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/05/ciencia-de-atribuicao-quando-o-clima-nao-e-o-culpado/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/05/ciencia-de-atribuicao-quando-o-clima-nao-e-o-culpado/#respond Sat, 05 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=68 5 de setembro de 2026 · Clima e Safra

Em 30 de julho de 2026, o World Weather Attribution publicou um estudo de atribuição rápida sobre os incêndios na Europa: as condições de fogo extremo do ano são pelo menos 2 vezes mais prováveis no sudoeste da França e pelo menos 20 vezes mais prováveis no centro da Espanha do que num clima pré-industrial, e o aquecimento humano aumentou a intensidade do tempo propício a incêndio em cerca de 46% na França e 42% na Espanha. Os números do evento: cerca de 115 mil hectares queimados na França no ano, dos quais 40 mil só no incêndio da Gironda; cerca de 140 mil hectares na Espanha entre 13 e 28 de julho, com o incêndio de Ávila chegando a 44 mil hectares, o maior da história espanhola. Foram 220 mil evacuados na França e mais de 80 mil na Espanha.

Duas semanas depois, em 14 de agosto, o mesmo grupo publicou um estudo sobre as enchentes de Assam, na Índia — pelo menos 99 mortos, mais de 500 mil pessoas afetadas, mais de 45 mil hectares de lavoura submersos, 16 distritos e 794 aldeias inundados. E a conclusão foi a oposta: o aquecimento de 1,4 °C não alterou materialmente nem a probabilidade nem a intensidade da chuva daquele ano. O dano, concluíram, decorreu de exposição e vulnerabilidade estrutural.

Esse segundo resultado é o que dá credibilidade ao primeiro. Um método que atribuísse tudo indistintamente ao clima não seria ciência, seria narrativa. A atribuição funciona justamente porque compara a probabilidade do evento em dois mundos — o atual e um 1,4 °C mais frio — e aceita o resultado quando ele diz que a diferença não é significativa.

A lição prática é transportar esse rigor para dentro da porteira. Nem todo prejuízo é mudança climática, e chamar tudo de clima esconde exatamente a parte que dá para consertar. A planta que tombou pode ter caído por vento excepcional — ou por escoramento ausente, densidade errada e rizoma comido por broca. O talhão que alagou pode ter sido chuva histórica — ou drenagem entupida há três safras. Diagnóstico honesto de causa é o que separa o risco que se administra do risco que se absorve.

Um método que culpasse o clima por tudo não seria ciência. E um produtor que culpe o clima por tudo perde a parte que ainda dava para consertar.

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World Weather Attribution: os incêndios de 2026 ficaram 2x mais prováveis na França e 20x na Espanha por causa do aquecimento. Duas semanas depois, sobre a enchente de Assam, o mesmo grupo concluiu que o clima NÃO alterou a probabilidade — o dano veio de exposição e vulnerabilidade.

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O mercado regulado de carbono deixou a agropecuária de fora das três etapas — o que sobra para quem produz https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/04/mercado-de-carbono-deixa-a-agropecuaria-de-fora/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/04/mercado-de-carbono-deixa-a-agropecuaria-de-fora/#respond Fri, 04 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=66 4 de setembro de 2026 · Política Agrícola

Em 7 de agosto de 2026, a Secretaria Extraordinária do Mercado de Carbono, do Ministério da Fazenda, submeteu a consulta pública a minuta de portaria com o cronograma das obrigações de monitoramento, relato e verificação do SBCE, o sistema brasileiro de comércio de emissões. As três etapas cobrem, pela ordem: alumínio primário, ferro e aço integrado, cimento, petróleo e gás, refino, papel e celulose e transporte aéreo; depois alumínio secundário, aço semi-integrado, química, mineração, alimentos e bebidas, resíduos, cerâmica, vidro e setor elétrico; e por fim os transportes aquaviário, ferroviário e rodoviário.

A produção agropecuária não consta em nenhuma das três etapas. Isso não é omissão do cronograma — é coerência com a Lei 15.042/2024, que excluiu a produção primária agropecuária do mercado regulado de carbono. Vale dizer isso com clareza porque circula muita expectativa em sentido contrário: não haverá, no horizonte desse cronograma, obrigação nem mercado regulado de carbono para quem produz banana. O mercado voluntário existe, mas é outra coisa, com outras regras e outra escala de exigência documental.

O incentivo que efetivamente existe hoje para o pequeno produtor é financeiro, não ambiental — e é bem concreto. O Plano Safra 2026/2027 estabeleceu juros de 1% ao ano no Pronaf para sistemas agroflorestais, aplicáveis à implantação e ao manejo, exigindo projeto técnico com conformidade agroecológica aprovado por entidade de assistência técnica, como a Epagri, e CAF ativo. As linhas de produção agroecológica e orgânica também caíram para 1% ao ano. E, no Plano Safra empresarial, há redução de até um ponto percentual por práticas ambientais: 0,5 ponto por CAR regularizado e 0,5 por certificação sustentável.

A lição prática é ajustar a expectativa e mirar o que está na mesa. O retorno da prática de baixo carbono, hoje, chega como taxa de juro menor — não como crédito de carbono vendido. Para uma propriedade com banana em consórcio ou com faixa de mata, isso muda o cálculo de um projeto de SAF: a mesma área que sequestra carbono passa a financiar-se a 1% ao ano. É menos glamouroso que vender crédito, e muito mais provável de acontecer.

O retorno de plantar carbono, hoje, não vem como crédito vendido. Vem como um por cento ao ano no financiamento.

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O cronograma de MRV do SBCE, em consulta pública desde 07/08/2026, não inclui a produção agropecuária em nenhuma das três etapas — coerente com a Lei 15.042/2024. O incentivo real hoje é juro: Pronaf a 1% ao ano para sistemas agroflorestais.

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Foto: José Quintana / Pexels

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O Cemaden já monitora 1.295 municípios — e tem um índice de risco de seca só para a agricultura familiar https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/03/cemaden-1295-municipios-e-o-risaf/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/03/cemaden-1295-municipios-e-o-risaf/#respond Thu, 03 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=64 3 de setembro de 2026 · Clima e Safra

O Cemaden, o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, passou a monitorar 1.295 municípios a partir de março de 2026 — eram 1.133 —, com a inclusão de 162 novos. Santa Catarina está entre os estados mais beneficiados, ao lado de Bahia, Minas Gerais e Pernambuco. A meta declarada é alcançar 2.095 municípios vulneráveis a desastres geo-hidrológicos, com R$ 60 milhões investidos na expansão, incluindo um novo data center previsto para o fim de 2026.

Menos conhecido, e muito útil, é o RiSAF — Risco de Seca na Agricultura Familiar, um boletim mensal do próprio Cemaden. O de maio de 2026 apontou 1 município em risco muito alto, 191 em risco alto e 240 em risco moderado — forte alta sobre abril, que tinha 44 em risco alto e 99 em moderado. Na severidade da seca em si: 3 municípios em seca extrema, no Pará; 71 em seca severa, sobretudo em Tocantins; e 461 em seca moderada, concentrados no Sudeste.

A metodologia é aberta e vale conhecer: o RiSAF combina um Índice Integrado de Seca — que junta SPI de um mês, umidade do solo até um metro de profundidade e o índice de saúde da vegetação (VHI) — cruzado com o calendário agrícola da Conab. E aqui vem o limite que este site tem de registrar com clareza: o índice é calculado para feijão e milho não irrigados. Banana não está contemplada.

A lição prática, então, é usar cada ferramenta pelo que ela entrega. O RiSAF não vai dizer nada sobre o seu bananal, mas o monitoramento municipal do Cemaden serve a qualquer cultura — é ele que alimenta boa parte do sistema de alerta que chega ao celular. Vale conferir se o seu município entrou na lista dos 1.295 e, se entrou, garantir que alguém da propriedade esteja efetivamente cadastrado para receber os avisos. Rede de monitoramento sem destinatário cadastrado é infraestrutura desperdiçada.

Um sistema de alerta só protege quem está cadastrado para recebê-lo — o resto é infraestrutura falando sozinha.

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Cemaden ampliou o monitoramento para 1.295 municípios em 2026, com SC entre os mais beneficiados; meta de 2.095. O RiSAF, índice mensal de risco de seca na agricultura familiar, apontou 191 municípios em risco alto em maio — mas cobre só feijão e milho, não banana.

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SC monta plano de contingência para o El Niño e a Epagri projeta 93% de chance de evento muito forte https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/02/plano-de-contingencia-el-nino-sc-outubro-novembro/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/02/plano-de-contingencia-el-nino-sc-outubro-novembro/#respond Wed, 02 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=61 2 de setembro de 2026 · Clima e Safra

Em 18 de agosto de 2026, Santa Catarina criou um plano de contingência para os impactos do El Niño, coordenado pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil. O escopo é amplo e vale ser lido inteiro: enchentes, enxurradas, vendavais, granizo, tornados, estiagem, seca, incêndios florestais e falhas de abastecimento de água e energia. O documento contempla explicitamente prejuízos à produção agropecuária, prevendo suporte a agricultores e municípios tanto por excesso de chuva quanto por falta de água.

Chamar atenção para os dois extremos no mesmo plano não é excesso de zelo. El Niño em Santa Catarina costuma significar chuva acima da média, mas o mesmo evento produz estiagem em outras regiões do país e pode alternar excesso e falta dentro do próprio estado ao longo do trimestre. Um plano que só se preparasse para enchente ficaria de mãos atadas num setembro seco seguido de um novembro encharcado.

A nota meteorológica conjunta da Epagri e da Defesa Civil de 28 de agosto dá o endereço no calendário: 93% de probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte no trimestre setembro-outubro-novembro, com persistência esperada até o outono de 2027. A previsão é de chuvas acima do normal, principalmente em outubro e novembro; setembro deve ter temperaturas próximas do normal, com massas de ar frio ainda possíveis. O alerta é para maior frequência de alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos, além de tempestades severas com vendaval e granizo.

A lição prática é de cronograma, e ela é bem concreta: setembro é o mês de fazer, outubro e novembro são os meses de aguentar. A previsão coloca setembro como janela — temperatura normal, chuva ainda não no pico. É nesse mês que cabem a limpeza de drenagem, a revisão de escoramento cacho por cacho, a checagem de telhado e rede elétrica do barracão, a conferência do estoque de embalagem e a inscrição de alguém da propriedade no canal de alerta da Defesa Civil. Em outubro, a mesma lista disputa espaço com a chuva.

Setembro é o mês de fazer. Outubro e novembro são os meses de aguentar o que ficou por fazer.

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SC criou plano de contingência para o El Niño (18/08/2026), cobrindo de enchente e granizo a estiagem e falta de energia. A nota da Epagri e da Defesa Civil de 28/08 aponta 93% de chance de El Niño muito forte no trimestre set-out-nov, com chuva acima do normal em outubro e novembro.

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Santa Catarina põe R$ 1 bilhão na Defesa Civil — e a banana lembra por quê https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/01/sc-1-bilhao-defesa-civil-e-o-ciclone-de-2020/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/09/01/sc-1-bilhao-defesa-civil-e-o-ciclone-de-2020/#respond Tue, 01 Sep 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=59 1º de setembro de 2026 · Clima e Safra

Santa Catarina destinou R$ 1 bilhão à Defesa Civil em 2026, valor 292% acima dos R$ 342 milhões previstos em 2025, com R$ 64 milhões repassados aos 295 municípios. Entre 2023 e 2026 foram R$ 900 milhões em investimentos preventivos e R$ 40,7 milhões em resposta a desastres. A rede de monitoramento saltou de 42 estações em 2024 para 172 em 2025. Em maio de 2026 o estado decretou alerta climático de 180 dias. Ao todo, 207 cidades catarinenses são consideradas suscetíveis a desastres.

As obras listadas dão a escala do problema: desassoreamento, contenção de margens, reforma das barragens de Ituporanga, Taió e José Boiteux, novas barragens em Mirim Doce, Botuverá e Petrolândia, derrocamento do Rio Itajaí-Açu e canal extravasor em Salto Pilão. É engenharia de bacia hidrográfica, não obra de emergência — o que indica que o estado passou a tratar o Vale do Itajaí como problema estrutural.

O desastre de 2023 explica a virada. Foram R$ 1 bilhão de prejuízo agrícola só no Alto Vale do Itajaí, com 46.941 propriedades rurais atingidas, 3,6 milhões de pessoas afetadas, R$ 1,61 bilhão em perdas materiais, 10 óbitos e 100 mil desalojados. Rio do Sul sozinha teve R$ 104 milhões em perdas e 18 mil desalojados. E, para a bananicultura, o número de referência é anterior: o ciclone-bomba de 2020 atingiu 13 mil hectares de banana no estado, com 315 mil toneladas perdidas e R$ 205 milhões de prejuízo direto.

A lição prática é sobre o que o investimento público cobre e o que ele não cobre. Barragem e canal extravasor protegem cidade e várzea; não protegem bananal de vendaval, nem cacho de granizo. A parte que continua sendo do produtor é a de dentro da porteira: escoramento, quebra-vento, drenagem de talhão, distribuição da área em exposições diferentes e um plano de a quem avisar. O bilhão do estado reduz a probabilidade da enchente — a probabilidade do vento continua exatamente onde estava.

Barragem protege cidade. O que protege cacho de vendaval continua sendo escoramento, quebra-vento e a decisão de não concentrar tudo na mesma encosta.

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SC destinou R$ 1 bilhão à Defesa Civil em 2026, 292% acima de 2025, com a rede de monitoramento saltando de 42 para 172 estações. Contexto: o desastre de 2023 atingiu 46.941 propriedades rurais, e o ciclone de 2020 levou 315 mil toneladas de banana.

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O seguro rural está encolhendo justamente quando o risco climático cresce https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/31/seguro-rural-encolhe-quando-o-risco-cresce/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/31/seguro-rural-encolhe-quando-o-risco-cresce/#respond Mon, 31 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=57 31 de agosto de 2026 · Política Agrícola

O Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural teve R$ 1,017 bilhão aprovado no Orçamento de 2026 — mas apenas R$ 473,8 milhões disponíveis. São R$ 461,7 milhões bloqueados e R$ 81,9 milhões cancelados, totalizando R$ 543,8 milhões indisponíveis, ou 53% do aprovado, além de R$ 141 milhões de pagamentos pendentes de 2025. Com o orçamento efetivamente disponível, a projeção é de 2,69 milhões de hectares segurados em 2026 — 2,78% da área agrícola brasileira — contra 5,7 milhões se o valor integral fosse liberado.

A tendência é mais longa que o exercício deste ano. A Mapfre projeta que menos de 3% da área cultivada estará segurada em 2026, contra cerca de 14 milhões de hectares no pico de 2021/22; o seguro agrícola recuou 15% nos cinco primeiros meses do ano. Daniel Nascimento, presidente da Comissão de Seguro Rural da FenSeg, resume: “Já tivemos cerca de 14% a 15% da área plantada segurada no Brasil. Hoje, esse percentual está abaixo de 5%”. Na safra 2021/2022, a sinistralidade oscilou entre 500% e 600% em algumas seguradoras — o que explica a retração da oferta tanto quanto a da demanda.

Junte isso ao restante do quadro. A CNSeg estima as perdas climáticas médias anuais em cerca de R$ 60 bilhões, e a NOAA atribui 69% de chance a um El Niño historicamente recorde no trimestre outubro-dezembro. Ou seja: a cobertura encolhe no mesmo movimento em que a exposição aumenta. Quem absorve a diferença é o produtor, com capital próprio ou com dívida.

A lição prática para o bananicultor familiar é não confundir os instrumentos. O PSR — que é o programa em crise orçamentária — não é o seu caminho principal. O instrumento que alcança a agricultura familiar é o Proagro Mais, o Seguro da Agricultura Familiar, com cobertura automática ao se contratar custeio agrícola do Pronaf, e com R$ 6,6 bilhões reservados no Plano Safra 2026/2027. Quem não contrata custeio pelo Pronaf provavelmente não tem cobertura nenhuma — e essa é uma conversa para ter com o agente financeiro antes de outubro.

A cobertura encolhe no mesmo movimento em que a exposição cresce. A diferença sai do bolso de quem produz.

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Seguro rural em 2026: 53% do orçamento do PSR está bloqueado ou cancelado. A área segurada no Brasil caiu de 14-15% para menos de 5% da área plantada. E a CNSeg estima perdas climáticas médias de R$ 60 bilhões por ano. Para a agricultura familiar, o caminho é o Proagro Mais.

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O Brasil publicou 16 planos de adaptação climática — e um deles é só de agricultura familiar https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/30/plano-clima-adaptacao-312-metas-setoriais/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/30/plano-clima-adaptacao-312-metas-setoriais/#respond Sun, 30 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=55 30 de agosto de 2026 · Política Agrícola

Em 13 de fevereiro de 2026, o governo federal publicou os documentos do Plano Clima Adaptação: a Estratégia Nacional de Adaptação e 16 planos setoriais e temáticos, entre eles um de “Agricultura e Pecuária” e outro específico de “Agricultura Familiar”. A estrutura soma 13 diretrizes nacionais, 9 objetivos nacionais, 12 metas nacionais, 51 objetivos setoriais, 312 metas setoriais e 810 ações. A construção mobilizou cerca de 6 mil pessoas e 700 instituições, com mais de 3.600 contribuições na consulta pública.

O recorte da agricultura familiar, coordenado pelo MDA e lançado em março, organiza-se em três frentes até 2035: adaptação — infraestrutura física para clima adverso; mitigação — remover carbono e armazená-lo no solo; e abordagens transversais, com financiamento verde. Entram bioinsumos, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento de circuitos curtos de venda. O Plano Clima como um todo, aprovado em dezembro de 2025 após 17 anos sem atualização, fixa meta de redução de 59% a 67% das emissões líquidas até 2035 em relação a 2005.

Entre as metas nacionais há uma que merece ser lida com atenção por quem mora no interior: planos de adaptação em todos os estados até 2035 e em ao menos 35% dos municípios brasileiros até 2035. Lida ao contrário, essa meta diz que até dois terços dos municípios podem chegar a 2035 sem plano de adaptação próprio. E é no município que a drenagem urbana, a estrada rural, a ponte e o sistema de alerta efetivamente existem ou não existem.

A lição prática é transformar isso numa pergunta concreta e local: o seu município tem plano de adaptação, ou pretende ter? Essa é uma pergunta legítima para levar ao secretário de agricultura, ao vereador e ao sindicato — e é mais útil do que qualquer discussão sobre metas nacionais. Um plano municipal é o que organiza obra de drenagem, mapeamento de área de risco e canal de alerta. Sem ele, o produtor continua dependendo do próprio celular e da própria sorte.

Trinta e cinco por cento dos municípios até 2035 é uma meta que, lida ao contrário, deixa dois terços do país sem plano — e é no município que a estrada e a drenagem existem.

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Plano Clima Adaptação (13/02/2026): 16 planos setoriais, incluindo um de Agricultura Familiar, com 312 metas setoriais e 810 ações. Uma das metas nacionais: planos de adaptação em ao menos 35% dos municípios até 2035. Pergunte se o seu está entre eles.

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Foto: Henning K / Pexels

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O zoneamento climático da banana catarinense é de 2019 — e é ele que decide seu acesso ao crédito https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/#respond Sat, 29 Aug 2026 15:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/ 29 de agosto de 2026 · Política Agrícola

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático da banana em Santa Catarina está definido pela Portaria SPA/MAPA nº 281, de 3 de setembro de 2019. Ela lista 93 municípios e organiza o risco por três tipos de solo — arenoso, com 42 mm de capacidade de armazenamento de água; médio, com 66 mm; argiloso, com 90 mm —, três grupos de cultivares (Tipo I Cavendish, Tipo II Maçã, Tipo III Prata e Terra) e três níveis de risco, correspondentes a 20%, 30% e 40% de frequência de anos com restrição hídrica. Essa portaria de 2019 continua listada como safra vigente. Soja e milho recebem revisão anual.

Não se trata de burocracia distante. Pela Portaria MAPA nº 412/2020, o acesso ao crédito rural fica condicionado ao cultivo em áreas zoneadas com as cultivares indicadas, e é o Zarc que define a elegibilidade ao Proagro e ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. A mesma portaria estabelece que os elementos do zoneamento não podem ser alterados depois de divulgados e que propostas de mudança exigem no mínimo 12 meses de avaliação técnica, com séries agroclimáticas de no mínimo 15 anos.

Enquanto isso, o programa evoluiu — para outras culturas. A Instrução Normativa SPA/MAPA nº 2, de julho de 2025, criou o Zarc por Níveis de Manejo, que passa a considerar a qualidade do manejo do solo como fator de risco, e não só a média municipal. E a Resolução CGSR nº 111, de 28 de abril de 2026, atrelou a subvenção ao prêmio do seguro ao nível de manejo — 30% no NM2, 35% no NM3, 40% no NM4, chegando a 50% para milho safrinha. As culturas contempladas foram soja em MS, SC, RS e PR e milho de segunda safra no PR e MS. Nenhuma fruta foi incluída.

A lição prática tem duas partes, uma individual e uma coletiva. A individual: confira se o seu município está entre os 93 da portaria e em que nível de risco ele se enquadra — é esse enquadramento que o banco vai consultar. A coletiva é mais desconfortável: um zoneamento de 2019, construído sobre séries anteriores a ele, descreve um clima que os boletins de 2026 já não descrevem. Pedir a revisão do Zarc da banana é o tipo de pauta que só avança se a associação de produtores, a Epagri e a Cidasc levarem juntas ao Ministério — e o prazo regulatório de doze meses significa que quem começar agora colhe resultado em 2028.

O documento que decide se o seu financiamento sai e se o seu Proagro cobre foi escrito para um clima que já não é o de hoje.

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O Zarc da banana em SC é a Portaria SPA/MAPA nº 281, de 03/09/2019 — 93 municípios, nunca revista, ainda listada como safra vigente. Soja e milho têm revisão anual. E é o Zarc que condiciona o crédito rural e define elegibilidade ao Proagro e ao seguro.

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Foto: Srdjan Sabo / Pexels

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Um estudo projeta 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina em dificuldade até 2080 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/#respond Sat, 29 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/ 29 de agosto de 2026 · Clima e Safra

Um estudo da Universidade de Exeter, liderado pelo professor Dan Bebber e publicado na Nature Food, projeta que 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina e do Caribe enfrentarão dificuldades até 2080, a ponto de tornar a produção economicamente insustentável em grande parte da região. Colômbia e Costa Rica aparecem entre os países que podem se tornar inadequados ao cultivo; Equador e algumas regiões do Brasil seguiriam como produtores relevantes.

O quadro catarinense tem seu próprio levantamento. Um trabalho do IFSC com pesquisadores do instituto e da Epagri projeta para a fruticultura do estado aumento de 1,5 °C a 2 °C até o fim do século, registra que a incidência de chuvas extremas cresceu cerca de 20% nos últimos 30 anos e traz exemplos já mensurados em outras culturas: Caçador registra pouco mais de 500 horas de frio quando seriam necessárias cerca de 700; áreas aptas à viticultura podem encolher entre 70% e 89% até 2050-2070; o pêssego teve redução produtiva de até 60% na safra de 2024. Participaram do levantamento, entre outros, Adinor José Capellesso, do IFSC, e Luiz Antonio Palladini, coordenador de fruticultura da Epagri.

Antes da leitura, a ressalva que qualquer projeção de 2080 exige: são cenários, não previsões, e carregam incerteza grande sobre trajetória de emissões, adaptação tecnológica e resposta das próprias variedades. O que um estudo assim informa não é o que vai acontecer, e sim para que lado a probabilidade se inclina — e isso basta para decisões de horizonte longo.

A lição prática está no lado em que o Brasil aparece: o dos que continuam. Ser um dos produtores que resta num mercado que encolhe é uma vantagem competitiva — e vantagem competitiva se perde por não se preparar para ela. Isso significa decidir agora sobre coisas que levam anos: mix de variedade, aptidão da área nova, capacidade de irrigação, material genético resistente. A janela para plantar um bananal pensando em 2050 é esta década, não a próxima.

O Brasil aparece do lado dos que continuam produzindo — e essa é exatamente a posição que se perde por não se preparar para ela.

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Estudo da Universidade de Exeter (Dan Bebber) na Nature Food: 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina e Caribe em dificuldade até 2080. Colômbia e Costa Rica podem se tornar inadequadas; Equador e regiões do Brasil seguem relevantes.

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Foto: Angelo / Pexels

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