Quero Banana – Notícias https://noticias.querobanana.com.br Mercado da banana, do produtor ao comprador Sun, 30 Aug 2026 09:00:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 O Brasil publicou 16 planos de adaptação climática — e um deles é só de agricultura familiar https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/30/plano-clima-adaptacao-312-metas-setoriais/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/30/plano-clima-adaptacao-312-metas-setoriais/#respond Sun, 30 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/?p=55 30 de agosto de 2026 · Política Agrícola

Em 13 de fevereiro de 2026, o governo federal publicou os documentos do Plano Clima Adaptação: a Estratégia Nacional de Adaptação e 16 planos setoriais e temáticos, entre eles um de “Agricultura e Pecuária” e outro específico de “Agricultura Familiar”. A estrutura soma 13 diretrizes nacionais, 9 objetivos nacionais, 12 metas nacionais, 51 objetivos setoriais, 312 metas setoriais e 810 ações. A construção mobilizou cerca de 6 mil pessoas e 700 instituições, com mais de 3.600 contribuições na consulta pública.

O recorte da agricultura familiar, coordenado pelo MDA e lançado em março, organiza-se em três frentes até 2035: adaptação — infraestrutura física para clima adverso; mitigação — remover carbono e armazená-lo no solo; e abordagens transversais, com financiamento verde. Entram bioinsumos, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento de circuitos curtos de venda. O Plano Clima como um todo, aprovado em dezembro de 2025 após 17 anos sem atualização, fixa meta de redução de 59% a 67% das emissões líquidas até 2035 em relação a 2005.

Entre as metas nacionais há uma que merece ser lida com atenção por quem mora no interior: planos de adaptação em todos os estados até 2035 e em ao menos 35% dos municípios brasileiros até 2035. Lida ao contrário, essa meta diz que até dois terços dos municípios podem chegar a 2035 sem plano de adaptação próprio. E é no município que a drenagem urbana, a estrada rural, a ponte e o sistema de alerta efetivamente existem ou não existem.

A lição prática é transformar isso numa pergunta concreta e local: o seu município tem plano de adaptação, ou pretende ter? Essa é uma pergunta legítima para levar ao secretário de agricultura, ao vereador e ao sindicato — e é mais útil do que qualquer discussão sobre metas nacionais. Um plano municipal é o que organiza obra de drenagem, mapeamento de área de risco e canal de alerta. Sem ele, o produtor continua dependendo do próprio celular e da própria sorte.

Trinta e cinco por cento dos municípios até 2035 é uma meta que, lida ao contrário, deixa dois terços do país sem plano — e é no município que a estrada e a drenagem existem.

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Plano Clima Adaptação (13/02/2026): 16 planos setoriais, incluindo um de Agricultura Familiar, com 312 metas setoriais e 810 ações. Uma das metas nacionais: planos de adaptação em ao menos 35% dos municípios até 2035. Pergunte se o seu está entre eles.

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O zoneamento climático da banana catarinense é de 2019 — e é ele que decide seu acesso ao crédito https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/#respond Sat, 29 Aug 2026 15:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/zarc-da-banana-em-sc-e-de-2019/ 29 de agosto de 2026 · Política Agrícola

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático da banana em Santa Catarina está definido pela Portaria SPA/MAPA nº 281, de 3 de setembro de 2019. Ela lista 93 municípios e organiza o risco por três tipos de solo — arenoso, com 42 mm de capacidade de armazenamento de água; médio, com 66 mm; argiloso, com 90 mm —, três grupos de cultivares (Tipo I Cavendish, Tipo II Maçã, Tipo III Prata e Terra) e três níveis de risco, correspondentes a 20%, 30% e 40% de frequência de anos com restrição hídrica. Essa portaria de 2019 continua listada como safra vigente. Soja e milho recebem revisão anual.

Não se trata de burocracia distante. Pela Portaria MAPA nº 412/2020, o acesso ao crédito rural fica condicionado ao cultivo em áreas zoneadas com as cultivares indicadas, e é o Zarc que define a elegibilidade ao Proagro e ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural. A mesma portaria estabelece que os elementos do zoneamento não podem ser alterados depois de divulgados e que propostas de mudança exigem no mínimo 12 meses de avaliação técnica, com séries agroclimáticas de no mínimo 15 anos.

Enquanto isso, o programa evoluiu — para outras culturas. A Instrução Normativa SPA/MAPA nº 2, de julho de 2025, criou o Zarc por Níveis de Manejo, que passa a considerar a qualidade do manejo do solo como fator de risco, e não só a média municipal. E a Resolução CGSR nº 111, de 28 de abril de 2026, atrelou a subvenção ao prêmio do seguro ao nível de manejo — 30% no NM2, 35% no NM3, 40% no NM4, chegando a 50% para milho safrinha. As culturas contempladas foram soja em MS, SC, RS e PR e milho de segunda safra no PR e MS. Nenhuma fruta foi incluída.

A lição prática tem duas partes, uma individual e uma coletiva. A individual: confira se o seu município está entre os 93 da portaria e em que nível de risco ele se enquadra — é esse enquadramento que o banco vai consultar. A coletiva é mais desconfortável: um zoneamento de 2019, construído sobre séries anteriores a ele, descreve um clima que os boletins de 2026 já não descrevem. Pedir a revisão do Zarc da banana é o tipo de pauta que só avança se a associação de produtores, a Epagri e a Cidasc levarem juntas ao Ministério — e o prazo regulatório de doze meses significa que quem começar agora colhe resultado em 2028.

O documento que decide se o seu financiamento sai e se o seu Proagro cobre foi escrito para um clima que já não é o de hoje.

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O Zarc da banana em SC é a Portaria SPA/MAPA nº 281, de 03/09/2019 — 93 municípios, nunca revista, ainda listada como safra vigente. Soja e milho têm revisão anual. E é o Zarc que condiciona o crédito rural e define elegibilidade ao Proagro e ao seguro.

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Um estudo projeta 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina em dificuldade até 2080 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/#respond Sat, 29 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/29/estudo-exeter-60-por-cento-regioes-banana-2080/ 29 de agosto de 2026 · Clima e Safra

Um estudo da Universidade de Exeter, liderado pelo professor Dan Bebber e publicado na Nature Food, projeta que 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina e do Caribe enfrentarão dificuldades até 2080, a ponto de tornar a produção economicamente insustentável em grande parte da região. Colômbia e Costa Rica aparecem entre os países que podem se tornar inadequados ao cultivo; Equador e algumas regiões do Brasil seguiriam como produtores relevantes.

O quadro catarinense tem seu próprio levantamento. Um trabalho do IFSC com pesquisadores do instituto e da Epagri projeta para a fruticultura do estado aumento de 1,5 °C a 2 °C até o fim do século, registra que a incidência de chuvas extremas cresceu cerca de 20% nos últimos 30 anos e traz exemplos já mensurados em outras culturas: Caçador registra pouco mais de 500 horas de frio quando seriam necessárias cerca de 700; áreas aptas à viticultura podem encolher entre 70% e 89% até 2050-2070; o pêssego teve redução produtiva de até 60% na safra de 2024. Participaram do levantamento, entre outros, Adinor José Capellesso, do IFSC, e Luiz Antonio Palladini, coordenador de fruticultura da Epagri.

Antes da leitura, a ressalva que qualquer projeção de 2080 exige: são cenários, não previsões, e carregam incerteza grande sobre trajetória de emissões, adaptação tecnológica e resposta das próprias variedades. O que um estudo assim informa não é o que vai acontecer, e sim para que lado a probabilidade se inclina — e isso basta para decisões de horizonte longo.

A lição prática está no lado em que o Brasil aparece: o dos que continuam. Ser um dos produtores que resta num mercado que encolhe é uma vantagem competitiva — e vantagem competitiva se perde por não se preparar para ela. Isso significa decidir agora sobre coisas que levam anos: mix de variedade, aptidão da área nova, capacidade de irrigação, material genético resistente. A janela para plantar um bananal pensando em 2050 é esta década, não a próxima.

O Brasil aparece do lado dos que continuam produzindo — e essa é exatamente a posição que se perde por não se preparar para ela.

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Estudo da Universidade de Exeter (Dan Bebber) na Nature Food: 60% das regiões exportadoras de banana da América Latina e Caribe em dificuldade até 2080. Colômbia e Costa Rica podem se tornar inadequadas; Equador e regiões do Brasil seguem relevantes.

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425,6 ppm de CO₂ e 14 anos seguidos de recorde no nível do mar: o retrato de 2025 em números https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/28/state-of-the-climate-2025-425-ppm-nivel-do-mar/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/28/state-of-the-climate-2025-425-ppm-nivel-do-mar/#respond Fri, 28 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/28/state-of-the-climate-2025-425-ppm-nivel-do-mar/ 28 de agosto de 2026 · Clima e Safra

O State of the Climate in 2025, publicado em 10 de agosto de 2026 pela American Meteorological Society com a NOAA, é o 36º relatório anual da série e reúne 625 cientistas de 60 países. Os números centrais: CO₂ atmosférico em 425,6 ± 0,1 ppm, 53% acima do nível pré-industrial de cerca de 278 ppm; emissões fósseis recordes de 10,3 ± 0,5 petagramas de carbono por ano, mais de três vezes a taxa dos anos 1960.

No oceano, três marcas. O nível médio global do mar ficou 111,2 mm acima da média de 1993 — o 14º ano consecutivo de recorde. O conteúdo de calor oceânico entre 0 e 2.000 metros atingiu novo recorde, contribuindo com 1,6 ± 0,3 mm por ano para a elevação do nível do mar desde 2005. E cerca de 87% da superfície do oceano sofreu ao menos uma onda de calor marinha em 2025. No Ártico, a extensão máxima do gelo foi a menor em 47 anos, com apenas 95 mil km² de gelo com mais de quatro anos — contra 1,5 milhão de km² nos anos 1980.

Há um número no relatório que fala diretamente a quem produz banana em Santa Catarina: 97 ciclones tropicais nomeados em 2025, contra uma média de 87 no período 1991-2020, cinco deles de categoria 5. Ciclone não é abstração aqui. O ciclone-bomba de 2020 atingiu 13 mil hectares de banana no estado, com perda de 315 mil toneladas e prejuízo direto de R$ 205 milhões, segundo dados da Epagri/Ciram. Para dimensionar: 315 mil toneladas equivalem a cerca de 41% da safra catarinense de 770 mil toneladas de 2025/26.

A lição prática é aceitar o que esses números descrevem sobre a frequência. Um evento capaz de levar 40% de uma safra estadual deixou de ser exceção geracional e passou a caber no horizonte de planejamento de uma lavoura. Isso muda o cálculo de coisas que costumavam parecer caras demais: quebra-vento, escoramento sistemático, diversificação de variedade e — sobretudo — a decisão de não concentrar toda a área produtiva numa mesma exposição de vento e relevo.

Trezentas e quinze mil toneladas perdidas em um evento equivalem a quarenta por cento de uma safra estadual inteira.

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State of the Climate in 2025 (AMS/NOAA, 625 cientistas de 60 países): CO₂ em 425,6 ppm, nível do mar 111,2 mm acima de 1993 no 14º ano seguido de recorde, 87% do oceano com onda de calor marinha e 97 ciclones tropicais nomeados contra média de 87.

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A FAO atribui a alta dos alimentos a “ondas de calor escaldantes” — e é o maior nível em três anos https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/27/fao-preco-dos-alimentos-sobe-por-causa-do-calor/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/27/fao-preco-dos-alimentos-sobe-por-causa-do-calor/#respond Thu, 27 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/27/fao-preco-dos-alimentos-sobe-por-causa-do-calor/ 27 de agosto de 2026 · Mercado e Preços

O Índice de Preços dos Alimentos da FAO fechou julho de 2026 em 131,1 pontos, alta de 0,6% no mês e 1,0% em doze meses — o nível mais alto em três anos. Por subíndice: cereais +3,4% (6,9% acima de julho de 2025), óleos vegetais +2,0% (o maior nível desde junho de 2022) e açúcar +5,6%. Laticínios recuaram 0,7% e carnes caíram 2,8%, a primeira queda do ano.

A FAO é explícita sobre a causa, e ela não é geopolítica apenas: atribui as altas a “ondas de calor escaldantes e à dinâmica dos preços de energia”. O trigo foi pressionado por quebras de safra ligadas ao calor; o milho, por tempo quente e seco em partes dos Estados Unidos; o açúcar, por calor e seca persistentes na União Europeia e por condições de El Niño na Ásia. É a mesma sequência que a agência vinha descrevendo como risco e que passou a aparecer na fatura.

Aqui é preciso ser preciso com o leitor: o índice da FAO não tem subíndice de frutas. A banana não está nesses 131,1 pontos, e nenhuma alta ali se converte automaticamente em preço melhor no bananal. O que atravessa é o outro lado da conta. Energia mais cara move fertilizante nitrogenado, diesel de transporte e custo de refrigeração — exatamente os itens que empurraram o custo de produção apurado pelo Cepea para R$ 1,40 por quilo no primeiro semestre.

A lição prática é a de ler o índice pelo lado certo do balanço. Quando o clima aparece na fatura de alimentos, ele aparece primeiro no custo de quem produz e só depois — se aparecer — na receita. Para uma cultura que não está no índice, como a banana, o efeito é praticamente só de um lado. Vale acompanhar o preço do adubo e do diesel com a mesma atenção que se dá à cotação da caixa.

Para quem produz uma fruta que o índice nem mede, o calor global chega inteiro pelo custo e quase nada pela receita.

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FAO (07/08/2026): Índice de Preços dos Alimentos em 131,1 pontos em julho, o maior em três anos. Cereais +3,4%, açúcar +5,6%. A FAO atribui a “ondas de calor escaldantes” e à energia. Frutas não entram no índice — mas energia cara move adubo, diesel e refrigeração.

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A OMM prevê El Niño forte; o Berkeley Earth fala em pico perto de +4 °C, o maior já registrado https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/26/omm-el-nino-forte-pico-novembro-2026/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/26/omm-el-nino-forte-pico-novembro-2026/#respond Wed, 26 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/26/omm-el-nino-forte-pico-novembro-2026/ 26 de agosto de 2026 · Clima e Safra

Em 31 de julho de 2026, a Organização Meteorológica Mundial alertou que o El Niño deve se intensificar para um evento forte, com anomalias de temperatura da superfície do mar acima de 2,9 °C nas regiões de monitoramento no trimestre agosto-outubro, com impactos estendendo-se a 2027. O Global Seasonal Climate Update projeta pico em novembro de 2026 e registra baixa dispersão entre os modelos — o que, em previsão sazonal, significa alta confiança. A OMM prevê ainda Dipolo do Oceano Índico positivo, com valor sazonal médio de 0,6 °C, e Atlântico tropical acima da média.

O Berkeley Earth foi além na estimativa. Em 13 de agosto, registrou o índice Niño 3.4 em +2,7 °C — já na faixa de “super” El Niño — e projetou pico próximo de +4,0 °C em novembro. Se isso se confirmar, será o El Niño mais forte do registro observacional. É consistente com o boletim da NOAA de 13 de agosto, que atribuiu 69% de chance a um evento historicamente recorde no trimestre outubro-dezembro.

Para Santa Catarina, o pico em novembro tem endereço no calendário da bananicultura. Novembro e dezembro são meses de colheita e de embarque, e o que a Epagri e a Defesa Civil projetam para o período é chuva acima da média com maior frequência de vendaval, granizo e alagamento. Fruta em ponto de colheita, carreador saturado e caminhão que não entra formam a combinação que transforma uma boa safra numa perda de classificação.

A lição prática é que há uma data limite implícita nessa previsão, e ela é o fim de setembro. Tudo o que depende de obra — drenagem de carreador, contenção de talude, reforço de escoramento, telhado de barracão, capacidade de câmara — precisa estar resolvido antes de outubro. O que ficar para novembro vai competir com a colheita, com a chuva e com a fila de qualquer prestador de serviço da região.

A previsão diz novembro. Isso significa que o prazo real de quem produz é o fim de setembro.

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OMM (31/07/2026): El Niño deve se intensificar para evento forte, com anomalias acima de 2,9 °C no trimestre ago-out e pico em novembro. Berkeley Earth (13/08) registra Niño 3.4 em +2,7 °C e projeta pico perto de +4,0 °C — seria o mais forte do registro observacional.

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Julho de 2026 fechou a 1,47 °C acima do pré-industrial — e o oceano bateu o recorde da série https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/25/julho-2026-147-graus-acima-do-pre-industrial/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/25/julho-2026-147-graus-acima-do-pre-industrial/#respond Tue, 25 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/25/julho-2026-147-graus-acima-do-pre-industrial/ 25 de agosto de 2026 · Clima e Safra

O boletim do Copernicus/C3S divulgado em 10 de agosto de 2026 fechou julho com temperatura média global do ar à superfície de 16,90 °C — 0,67 °C acima da média de 1991-2020 e 1,47 °C acima do nível pré-industrial de 1850-1900. Foi o segundo julho mais quente já registrado, empatado com 2024 e apenas 0,01 °C abaixo de julho de 2023. A média dos doze meses encerrados em julho ficou em 1,45 °C acima do pré-industrial.

O dado mais duro está no mar. A temperatura da superfície do oceano entre 60°S e 60°N atingiu 20,96 °C — o valor mais alto já medido para um mês de julho, superando os 20,89 °C de 2023. Pelo conjunto de dados da NOAA, o oceano global teve seu julho mais quente da série, 1,02 °C acima da média — a primeira vez que um julho ultrapassa a marca de 1,0 °C. E, em 22 de agosto, a média da superfície dos oceanos chegou a 21,1 °C, o valor mais alto já registrado em qualquer data do ano.

Vale registrar uma diferença que costuma virar confusão. A NOAA descreveu julho como “empatado como o julho mais quente”; o Copernicus e o Berkeley Earth o classificaram como o segundo, atrás de 2023. Não é contradição: cada instituto usa uma linha de base e um método próprios. O Berkeley Earth calculou 1,56 ± 0,09 °C acima de 1850-1900, com 32 países batendo recorde de julho, e projeta cerca de 69% de chance de 2026 ser o ano mais quente já registrado. Sempre que o número aparecer numa manchete, pergunte de qual instituto ele é.

A lição prática é sobre qual desses números importa dentro da porteira. Não é o ranking do mês — é a média móvel de doze meses a 1,45 °C, porque a bananeira responde tanto à média quanto ao extremo. A Embrapa registra a temperatura ótima da cultura em torno de 28 °C, com limite superior de 35 °C. Cada décimo somado à média desloca a distribuição inteira, e é a cauda quente dessa distribuição que produz o dia de 40 °C que queima folha e para o crescimento.

O número que interessa ao bananal não é o recorde do mês: é a média de doze meses, que já se instalou a um e quarenta e cinco.

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Copernicus (10/08/2026): julho de 2026 a 16,90 °C — 1,47 °C acima do pré-industrial. A média de 12 meses está em 1,45 °C. E a superfície do oceano chegou a 20,96 °C, o valor mais alto já medido para um julho; em 22/08, a 21,1 °C, o maior de qualquer data.

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Garantia-Safra agora se inscreve pelo Gov.br — e por que a banana ficou de fora https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/24/garantia-safra-gov-br-e-por-que-a-banana-ficou-de-fora/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/24/garantia-safra-gov-br-e-por-que-a-banana-ficou-de-fora/#respond Mon, 24 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/24/garantia-safra-gov-br-e-por-que-a-banana-ficou-de-fora/ 24 de agosto de 2026 · Política Agrícola

As inscrições do Garantia-Safra 2026/2027 passaram a ser feitas diretamente pelo agricultor, com conta Gov.br, no Sistema de Gerenciamento do Garantia-Safra — antes o processo dependia da prefeitura. O benefício é de R$ 1.200 em parcela única. Os requisitos: CAF ativo e atualizado, município aderido ao programa, renda bruta familiar mensal de até 1,5 salário mínimo nos últimos 12 meses e área total de até 4 módulos fiscais.

E aqui vem a informação que este site tem obrigação de dar com todas as letras: o Garantia-Safra cobre o cultivo de 0,6 a 5 hectares de feijão, milho, arroz, mandioca ou algodão. Banana não está na lista. Um bananicultor que dependa exclusivamente da banana não se enquadra — por mais que a chuva, a geada ou o vendaval tenham destruído sua lavoura. Vale a ressalva de que muita propriedade familiar catarinense tem mandioca ou milho consorciado ou em área separada, e por esse caminho pode se enquadrar; mas o enquadramento é pela cultura elegível, não pela propriedade.

O instrumento que efetivamente alcança a banana é outro: o Seguro da Agricultura Familiar, que opera como Proagro Mais, com cobertura automática ao se contratar custeio agrícola do Pronaf. Nele, perdas acima de 30% exigem a apresentação de Comunicado de Ocorrência de Perdas na instituição financeira. O Plano Safra da Agricultura Familiar 2026/2027 reservou R$ 6,6 bilhões ao Proagro, e o MDA anunciou redução das alíquotas de contribuição do Proagro Mais para quem cultiva em conformidade com o Zoneamento Agrícola de Risco Climático.

A lição prática para quem produz banana em Santa Catarina, no mês em que houve ciclone, granizo e geada: o seguro que existe para você está vinculado ao custeio do Pronaf, não ao Garantia-Safra. Se você não contrata custeio, provavelmente não tem cobertura nenhuma — e essa é uma conversa para ter com o agente financeiro antes do próximo evento, não depois. Comece conferindo se o CAF está ativo; sem ele, nenhum dos dois caminhos abre.

O programa que ficou mais fácil de acessar não é o que cobre a banana — e descobrir isso depois do temporal é tarde demais.

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Garantia-Safra 2026/27: inscrição direta pelo Gov.br, benefício de R$ 1.200, exige CAF ativo. Mas as culturas cobertas são feijão, milho, arroz, mandioca e algodão — banana não entra. Para o bananicultor, o instrumento é o Proagro Mais, vinculado ao custeio do Pronaf.

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Santa Catarina é Área Livre de Moko — e o teste que confirma a doença leva menos de um minuto https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/23/moko-area-livre-sc-teste-de-um-minuto/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/23/moko-area-livre-sc-teste-de-um-minuto/#respond Sun, 23 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/23/moko-area-livre-sc-teste-de-um-minuto/ 23 de agosto de 2026 · Pragas e Doenças

Santa Catarina é Área Livre de Moko da bananeira, status reconhecido pela Instrução Normativa nº 22/2013 do Ministério da Agricultura. Isso não é um título honorífico: é o que permite ao estado comercializar e exportar sem as restrições que se aplicam a área com a praga presente. E foi defendido na prática — em 2018, um foco detectado em Antônio Carlos foi erradicado com a eliminação das plantas afetadas e inspeções em raio de 5 quilômetros, mantendo o status, conforme relato publicado por técnicos da Cidasc e da Epagri na Revista Agropecuária Catarinense.

O Moko é causado pela bactéria Ralstonia solanacearum e pode levar a perdas de até 100% da produção. O teste de campo é notavelmente simples e está descrito pela Embrapa: cortar o pseudocaule e observar se surge fluxo bacteriano de coloração leitosa em menos de um minuto. A descoloração vascular é mais intensa no centro do pseudocaule, e a podridão é seca, firme e de coloração parda. A desinfecção de ferramentas recomendada é com solução de formaldeído a 20 g/L.

O protocolo oficial de detecção da Cidasc, na Instrução de Serviço nº 09/2023, prevê inspecionar 1% das touceiras de cada propriedade amostrada, em pontos aleatórios georreferenciados, examinando 5 touceiras consecutivas por ponto. A disseminação se dá por material propagativo, água de chuva e irrigação, ferramentas, insetos e frutos contaminados. Planta suspeita exige comunicação imediata.

A lição prática soma o Moko a uma ameaça ainda ausente e mais grave. O Foc R4T, a Raça 4 Tropical do mal-do-Panamá, é praga quarentenária ausente em Santa Catarina, e a Cidasc mantém canal de notificação obrigatória pelo 0800 644 6510. O sintoma característico é o amarelecimento começando pelas folhas mais velhas, com quebra do pecíolo formando o aspecto de “guarda-chuva fechado”, e rachaduras no pseudocaule próximo ao solo. As exigências são as mesmas dos dois lados: muda certificada de cultura de tecidos registrada no MAPA, restrição de acesso não autorizado às áreas e desinfestação periódica de ferramentas. Um status sanitário é um bem coletivo que qualquer propriedade sozinha consegue destruir.

Área livre de praga é patrimônio construído por todos e derrubável por um — a muda barata de origem desconhecida é o caminho mais curto para perdê-lo.

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SC é Área Livre de Moko (IN 22/2013). Em 2018 um foco em Antônio Carlos foi erradicado com inspeção em raio de 5 km. O teste de campo: cortar o pseudocaule e ver se sai fluxo leitoso em menos de um minuto. Suspeita de Foc R4T: Cidasc, 0800 644 6510.

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Alerta de geada no Sul: abaixo de 12 °C, quem sofre é a casca da fruta https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/22/geada-no-sul-chilling-abaixo-de-12-graus/ https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/22/geada-no-sul-chilling-abaixo-de-12-graus/#respond Sat, 22 Aug 2026 09:00:00 +0000 https://noticias.querobanana.com.br/2026/08/22/geada-no-sul-chilling-abaixo-de-12-graus/ 22 de agosto de 2026 · Clima e Safra

O INMET emitiu em 21 de agosto de 2026 alerta laranja — queda de temperatura superior a 5 °C — e amarelo para Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com possibilidade de geada nos dias 22, 23 e 24 no centro-sul do PR, no centro e serra de SC e em grande parte do RS. A Defesa Civil catarinense projetou mínimas de 0 a 5 °C no Planalto e no Grande Oeste, e de 5 a 12 °C no litoral, com formação de geada no domingo.

Na bananeira, esperar a geada para se preocupar é tarde demais. A Embrapa registra que a temperatura ótima da cultura é de cerca de 28 °C, com limites extremos entre 15 e 35 °C, e que abaixo de 15 °C a atividade vegetal paralisa. O dano de fruto, porém, tem um limiar próprio: temperaturas inferiores a 12 °C provocam o distúrbio fisiológico conhecido como chilling, que prejudica os tecidos do fruto — principalmente os da casca — comprometendo o processo de maturação. Na planta, o frio provoca compactação da roseta foliar, dificultando o lançamento da inflorescência, o chamado engasgamento.

Repare no que isso significa para o litoral catarinense na noite do alerta: mínimas de 5 a 12 °C não produzem geada, mas ficam inteiramente dentro da faixa de chilling. É por isso que, em anos anteriores, o Cepea registrou escurecimento da casca da nanica após episódios de frio — sem que tenha havido geada em bananal nenhum.

A lição prática vem da Epagri, pelo extensionista Márcio Sônego, da Estação Experimental de Urussanga, e é toda de antecipação: ensacar os cachos para proteger do vento frio, fazer a adubação potássica nos dias que antecedem o evento, e, em baixadas, recorrer à queima de serragem salgada nas noites de risco. Nada disso funciona se for feito depois. E há uma decisão de mercado a tomar em seguida: fruta que passou por chilling perde classificação, e vale conferir a casca antes de embalar como primeira.

A bananeira não espera a geada para sofrer: abaixo de doze graus a casca já está sendo danificada, com o termômetro longe do zero.

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INMET, alerta laranja: possibilidade de geada no Sul entre 22 e 24/08/2026. Na bananeira, o dano começa antes: abaixo de 12 °C ocorre chilling, que prejudica a casca e compromete a maturação. Recomendação da Epagri: ensacar cachos e adubar com potássio ANTES do frio.

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